A história da Bhagavad Gita

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» por Roviralta Borrel (1856-1926)
Arjuna e Krishna
A epopéia Mahabharata, de que faz parte a Bhagavad Gita, foi compilada na forma atual entre os séculos V e I a.C., e se reporta à grande Índia de outrora, unificada polí­tica e culturalmente, estendendo-se do Himalaia ao cabo Camorim.

Os Kurus (ou Kauravas) formavam um importante kula (clã) dessa época. Quando seu Rei Dhrtarastra, o Rei cego, envelheceu, decidiu ceder o trono, não a seu filho Duryodhana, mas ao primogênito de seu irmão Pandu (ou Pandava), Yudhisthira, pois Duryodhana, dado ao mal, não era digno de governar. Mas Duryodhana apoderou-se do trono através de intrigas e traições e tratou de tentar liquidar Yudhisthira e seus quatro irmãos.

Krishna, o Deus encarnado, chefe do clã Yadava, amigo e parente dos Kurus, tentou reconciliar os dois partidos, reclamando para os prí­ncipes Pandavas apenas cinco cidades. Duryodhana recusou-se a entregar sem luta a menor parcela de terra. Tornou-se então necessário combater pela justiça e pelo direito. Todos os príncipes da Índia tomaram um ou outro partido. Krishna, imparcial, ofereceu uma escolha aos dois partidos: Krishna, embaixador dos KauravasDuryodhana escolheu ter ao seu lado todo o exército de Krishna, enquanto que o próprio Krishna, sozinho, passou para o outro campo, não como guerreiro, mas como simples condutor do carro de Arjuna.

Drona, que instruí­ra os Kurus e os Pandavas na arte militar, tomou o partido de Duryodhana, porque seu velho inimigo, Drupada, escolhera o outro campo. Bhisma, tio-avô dos prí­ncipes Kauravas e Pandavas, o homem que sempre vivera em castidade e era o homem mais forte de seu tempo, era o chefe do partido que tentara reconciliar Kurus e Pandavas. Quando fracassaram as tentativas pací­ficas e a guerra tornou-se inevitável, ele decidiu, depois de examinar escrupulosamente seus deveres e sua obrigação, tomar o partido de Duryodhana. Sabia que este estava errado, e se a batalha envolvesse apenas os dois ramos da famí­lia, teria permanecido neutro. Mas quando viu que todos os antigos inimigos dos Kurus estavam se aliando aos Pandavas, decidiu lutar apenas dez dias ao lado de Duryodhana e depois se retirar para uma morte voluntária (obtida por meios não-violentos).

Do ponto de vista estritamente militar, o exército de Duryodhana era claramente superior ao de seu adversário. Mas essa superioridade era compensada pela presença de Krishna no campo oposto.

Sanjaya, o condutor do carro do velho Rei Dhrtarastra, relata-lhe o que aconteceu no campo de Kurukshetra, onde os dois exércitos se reuniram para uma luta sem precedentes na história da antiga Índia.

Kurukshetra

É então que começa a Bhagavad Gita, a Divina Canção, assim chamada por conter as palavras de Krishna, a Divindade encarnada, e por ensinar o homem a elevar-se acima da consciência humana até uma consciência divina superior, realizando dessa forma na terra o reinado dos Céus.


Traduzido do castelhano para o português por Eloí­sa Ferreira. Publicado originalmente pela Editora Três, de São Paulo, em 1973, na Biblioteca Planeta, Volume 7. Digitado por Cristiano Bezerra em 27 de dezembro de 2001.



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