A prece do bom administrador

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Francisco de Assis (1182 - 1226)

Francisco de Assis (1182 – 1226)

» por Professor Hermógenes (1921-2015)

“Senhor,

Fazei de mim um instrumento de Vossa PAZ.
Onde houver ódio, que eu leve o AMOR.
Onde houver ofensa, que eu leve o PERDÃO.
Onde houver discórdia, que eu leve a UNIÃO.
Onde houver dúvida, que eu leve a FÉ.
Onde houver erro, que eu leve a VERDADE.
Onde houver desespero, que eu leve a ESPERANÇA.
Onde houver tristeza, que eu leve a ALEGRIA.
Onde houver trevas, que eu leve a LUZ.


Ó, Mestre,
Fazei que eu procure mais
consolar
que ser consolado.

Compreender
que ser compreendido.
Francisco de Assis (1182 - 1226)

Francisco de Assis (1182 – 1226)

Amar
que ser amado.
Porque é dando
que se recebe.
É perdoando
que se é perdoado.
E é morrendo
que se vive para a VIDA ETERNA.
AMÉM.”


[Atribuí­da a Francisco de Assis (1182 – 1226)]


O rendimento que o Grande Investidor espera de nossa administração dos talentos está aqui sintetizado de modo perfeito.

Ele quer que aumentemos no mundo e em cada pessoa a PAZ, o AMOR, o PERDÃO, a UNIÃO, a FÉ, a VERDADE, a ESPERANÇA, a ALEGRIA e a LUZ.

Será isso o que estamos realizando ao pensarmos, ao falarmos, ao curtimos e ao agirmos? Estamos ampliando e promovendo esses valores através de nosso atuar no mundo e em nós?

É muito difí­cil que a resposta (só vale se for sincera!) seja sim.

Promover PAZ, AMOR, PERDÃO, UNIÃO, FÉ, VERDADE, ESPERANÇA, ALEGRIA e LUZ é tarefa imensamente difí­cil. Quer saber por que?

Porque há um obstáculo gigantesco a se opor. E o nome dele é egoísmo.

Cada um se sente como um eu personalí­stico, a pretender sempre subir, ganhar, acumular, vencer, dominar, firmar-se, afirmar-se, expandir-se e até imortalizar-se. Desejos, apegos, aversões e fobias mobilizam todos os talentos em favor do eu.

Se o eu é tão reivindicante, que lugar, tempo e talento nossos sobrarão para beneficiar os outros? Ou para servir a Deus?


Essa hipertrofia calamitosa do eu, a meu ver, é uma doença gravíssima, que, por sua vez, é a causa de todas as injustiças e crimes, de toda falta de PAZ, AMOR, PERDÃO, UNIÃO, FÉ, VERDADE, ESPERANÇA, ALEGRIA e LUZ, que mantém o mundo em sofrimento permanente. Essa enfermidade não aparece (ainda) nos tratados de patologia dos médicos. Nagarika Govinda a denomina egosclerose.

O único tratamento válido para a egosclerose é ensinado por Cristo, e para o mesmo tenho proposto o nome de humildação. Consiste em reduzir a importância que nos damos, isto é, que damos, cada um de nós, a seu eu pessoal.

Essa humildação não é somente um remédio eficaz. É o único que existe.

Desculpem-me as escolas atuais de psicologia, psicoterapia e educação quando afirmo que o formar, fortalecer, aprimorar e expandir a personalidade (o eu pessoal), que têm sido objetivos de tais ciências, reclamam uma revisão, um reestudo.

Até agora, os tratamentos psicoterápicos e a pedagogia, que visam à afirmação e à consolidação do eu, têm predominado, têm se exercido. Mas, apesar disso, a Humanidade tem melhorado? E não será exatamente por isso – a hipertrofia do ego?

Indiví­duos que foram formados e informados para nutrir, defender, exaltar, firmar e afirmar suas personalidades, que fizeram da Humanidade? Que estão fazendo do planeta? Pessoas cujos egos foram formados pelos psicopedagogos e tratados pelos psicólogos estão aí­, lutando, impondo e se impondo, crescendo, “progredindo”. Ou, ao contrário, neuróticos amedrontados, submissos, mas sempre em defesa do eu, que aprenderam a amar. Que tal essa sociedade, palco de conflitos, desamor, impiedade, desunião, descrença, hipocrisia, tristeza e treva? Que tal essa civilização formada por pessoas educadas?!…. Que tem feito ao mundo a egolatria?!

Toda a primeira parte da prece de Francisco de Assis é um pedido, não em favor do eu, mas, ao contrário, em favor de uma minimização do eu, para chegar a se tornar (gloriosamente) um humilde “instrumento” de Deus.

O egoí­sta pede amor. O “bom administrador” acha importante amar. O egoí­sta pede consolo. O “bom administrador” consola. O egoísta mendiga ser compreendido. O “servo bom e fiel” é compreensivo e misericordioso. O egoí­sta pede, pois quer receber sempre. O santo constantemente e se dá sem reclamar sequer reciprocidade.

Terapeutas, médicos, educadores, psicólogos e pedagogos não podem naturalmente considerar sensato o paradoxo contundente do Santo:

“É morrendo que se vive para a VIDA ETERNA”.

Os grandes mestres da Humanidade são unânimes em ensinar que a VIDA ETERNA, ou o REINO DE DEUS, ou o NIRVANA, ou a ILUMINAÇÃO, ou a REDENÇÃO, isto é, a META SUPREMA de nossas vidas, não tem lugar enquanto o eu pessoal continuar se impondo. Só o vazio deixado pelo eu permite a Deus reinar. Enquanto sobreviver o eu, Deus não acontece. O verdadeiro sentido da evolução espiritual é o que Huberto Rohden chamou de egocídio, ou morte do ego.

Prefiro chamar de humildação, isto é, a minimização progressiva do ego, simultaneamente com a expansão de Deus.

Rigorosamente, à luz da ciência oficial e convencional do mundo, um Francisco, a querer morrer como ego, é um caso para tratamento psiquiátrico.

Rigorosamente, à LUZ da CIÊNCIA DIVINA e ETERNA, o homem egoí­sta que nós somos é um mí­sero padecente, um frágil, um primitivo, um pobre ignorante, que ainda não se conhece como potencialmente divino, como um Espírito Imortal e Livre.

Capa do livro Deus investe em você, do Professor Hermógenes

Capa do livro Deus investe em você, do Professor Hermógenes

Aquele que se tornou “instrumento”, sem ego, sem reivindicar amor, consolo e doação, para o mundo dos egoí­stas é um estranho, para não dizer anormal.

O homem normal aí­ está, a revolver-se nos opostos da existência, a neurotizar-se entre excessos de gozo fácil nas supostas vitórias e a cair em depressão nas pequenas quedas que a vida impõe.
Qual é a sua posição?

Você está mais para a “anormalidade” de Francisco ou para a “normalidade” da dor, depressão, apego, ira, ansiedade, fobia, ambição, falência, carência, instabilidade e insegurança dos homens medíocres, ainda vivendo somente para si e para os “seus”?

Chegou a hora da opção.

Faça-a você
.


Texto extraí­do das páginas 19 a 23 da edição, de 1985, do livro Deus investe em você, de José Hermógenes, e digitado por Cristiano Bezerra em 19 de setembro de 2001.

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