Aqui e agora » Robert Broughton fala sobre a consciência do momento presente

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» por Renata Reif

Robert BroughtonAssim que a entrevista começou, senti que havia algo no ar, que era possível identificar, porém difí­cil de codificar. A sí­ntese de seus ensinamentos é simples.

Meditação é permitir que os pensamentos passem pela mente naturalmente, como as nuvens no céu. Para conseguir esse controle, escolha um lugar que você possa ficar 15 minutos parado. Silêncio absoluto não é necessário, mas opte pelo mais quieto e tranquilo que conseguir. Sente em uma posição que garante que você não vai sentir desconforto, mas sempre alerta. Deitar não é recomendado porque é mais fácil de adormecer. Mantenha espinha ereta. As costas podem ficar apoiadas numa cadeira, ou contra a parede. Mas é sempre preferível manter a postura sem apoio.

Tome nota de como você se sente. Talvez você esteja feliz ou triste, bravo ou calmo, agitado ou excitado. Simplesmente cheque como você está e feche os olhos. Traga a atenção para a respiração. Não tente se concentrar com força. Sua atenção vai aterrissar com calma.

Você vai notar que a sua atenção vai se voltar para os pensamentos em vez da respiração. Essa é a tendência da mente. Seja paciente e volte a focar na respiração. Faça isso por cinco minutos e então abra os olhos lentamente. Parabéns, você atingiu o fluxo da meditação. Como você se sente? Um pouco mais calmo, mais quieto? Bem. Se você se sente que alterou a sua consciência, é porque você fez uma conexão com esse ensinamento.

Se esse fluxo natural é obstruí­do, os pensamentos permanecem na mente. Isso abre espaço para preocupações, ansiedade, insegurança e todo tipo de comportamento obsessivo auto-destrutivo. Por meio da meditação, desenvolve-se a habilidade de transcender o sofrimento. Um caminho se abre sem tempo nem espaço, na dimensão do Ser puro. Há aceitação pela forma que as coisas são, um entendimento inato que nos permite a abrir-nos inteiramente à vida, além de saborear todos os momentos. No começo, a meditação é feita como uma prática. Mas se você experimentar um profundo sentimento de relaxamento, é possí­vel que você esteja a caminho da porta. Aprendi algumas coisas durante a conversa que tive com Robert. Uma delas é que é preciso estar alerta a todo momento, internalizar aquele velho ensinamento de viver o agora, o presente. E que estar em estado normal é o ponto de partida para entender a vida espiritual. Se não podemos aceitar o que está acontecendo dentro de nós a todo momento.

O poder do agora é uma máxima velha conhecida, mas não como esse australiano Robert compartilhou durante uma conversa sobre como aplicar seus métodos de meditação e espiritualidade. Há trinta anos vivencia-os e ensina-os pelo mundo. Robert percebeu sua conexão com a vida espiritual em Londres em 1974, quando tornou-se professor de Meditação Transcendental, sob a orientação de Maharishi Mahesh Yogi, conhecido no Ocidente por ensinar aos Beatles. Ensinou a técnica na Inglaterra e Austrália e viajou para Burma (Birmânia), onde foi monge budista por quatro anos. Posteriormente, passou mais quatro anos em diferentes paí­ses da Ásia meditando em templos budistas.

Voltando à sua nativa Austrália, tornou-se um homem de negócios de sucesso por cinco anos. Foi durante esse perí­odo que ele experimentou o verdadeiro despertar de uma maneira espontânea pela primeira vez. Ele não comunicou o fato a ninguém, mas as pessoas começaram a perceber sua vibração diferente e a perguntar por que ele parecia tão pací­fico o tempo todo, e começaram a convidá-lo às suas casas e a sentar-se em silêncio com ele a responder às suas perguntas. De fato, quando estive próxima de Robert, tive a sensação de que estava viva, naquele momento. Portanto, é uma experiência de vivacidade.

Depois de vários anos ministrando workshops em estúdios de Yoga na Califórnia, ele começou a dirigir os encontros na Índia em novembro de 2005. Enquanto visitava o ashram de Ramana Maharshi em Tiruvannamalai, sul da Índia, encontrou um grupo de jovens que pediram-lhe para compartilhar das suas experiências.

Os encontros começam com um perí­odo de silêncio e então Robert explica como estamos vivendo nossas vidas identificadas com um estado de consciência chamado “normal” e passo a passo nos guia até a consciência do momento presente. É excitante, desafiador, mas finalmente uma experiência de vivacidade.

Seu ensinamento é sobre viver no momento presente e não no futuro ou passado criados pela mente. É sobre estar completamente focado e consciente da vida.

Acontece quando ele encontra pessoas num grupo e começa a perguntar-lhes como estão se sentindo exatamente agora, neste momento. Então se movem juntos para fora da mente e na liberdade da completa presença. Ele mostra como o ego resiste ao momento e quer controlá-lo. O seu grande diferencial é que ele mostra às pessoas como elas estão fazendo isso e então os convida a parar esse hábito, exatamente lá. Estão convidados a vir aqueles que entendem o que é o ego e estão prontos ou dispostos a tentar “livrar-se dele”.


Texto originalmente publicado em 5 de julho de 2007.

Visite o site de Robert Broughton em www.robertbroughton.com

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