Caracterí­sticas da respiração yogika

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yogi praticando pranayama» por Pedro Kupfer

Em quase todos os casos, excetuando-se alguns exercí­cios especí­ficos, a respiração durante o pranayama precisa manter sempre certas qualidades. Ela deve ser: profunda, completa, consciente, ritmada, controlada, uniforme, lenta, silenciosa, nasal e com a mí­nima projeção do ar. Veremos separadamente cada uma dessas particularidades.

1) Profunda. A respiração yogika é ampla, utilizando a totalidade da capacidade pulmonar. Respirar profundamente significa usar a estrutura ósseo-muscular do tronco para otimizar a assimilação do ar. Ao respirar, toda a musculatura do tronco participa do processo, porém, nunca devemos elevar nem movimentar os ombros.

2) Completa. Isso significa que devemos utilizar as três fases da respiração em cada exercí­cio que fazemos: abdominal, intercostal e clavicular. Observe sempre que os pulmões devem encher-se primeiramente na parte baixa, logo na parte média e finalmente na parte alta, esvaziando-se de forma inversa.

3) Consciente. Durante o pranayama procure sempre estar presente no exercí­cio que estiver fazendo, observando a cada instante os efeitos que a técnica está desencadeando dentro de si. Sem consciência não há concentração possí­vel.

4) Ritmada. Tudo é ritmo na Natureza; nós não somos a exceção. A cadência é extremamente importante, pois é o que nos permite projetar o exercí­cio no tempo. Existe uma estreita relação entre o ritmo e os estados profundos da consciência: mantendo um ritmo cadenciado conseguiremos tirar muito mais proveito dos exercí­cios.

5) Controlada. Precisamos evitar ficar sem fôlego. Caso sinta que está perdendo o domí­nio por não conseguir acompanhar a contagem dos tempos estabelecidos, opte por reduzir esses tempos, para conseguir manter o ritmo de acordo com a sua capacidade pulmonar individual.

6) Uniforme. Em nenhum momento devemos permitir que o fluxo de ar se interrompa ou que se altere a sua assimilação progressiva. Em outras palavras, devemos encher os pulmões de forma gradual e constante, sem dar arrancadas bruscas no iní­cio da inalação ou fazer força excessiva para expulsar o ar.

7) Lenta. A respiração deve ser tão lenta quanto for possí­vel. Considere que durante o pranayama ela deve ser ainda mais lenta que a de uma pessoa que dorme. Trabalhe no sentido de torná-la cada vez mais pausada. Com a prática, você perceberá que poderá alterar não apenas o ritmo pulmonar, mas também o ritmo cardí­aco í  sua vontade.

8) Silenciosa. Também devemos esforçar-nos por manter o ar fluindo da forma mais silenciosa possí­vel. Para ter uma idéia disto, considere que ninguém além de você deve ouvir a sua respiração durante a prática. Atenção obviamente í s exceções: bhastrika, bhramari e ujjayi.

9) Nasal. Os cí­lios das narinas filtram as impurezas que estão em suspensão no ar. Ao inspirar pela boca, você permite que elas entrem diretamente nos pulmões, o que pode provocar diversos males. Esta é a pior maneira de respirar. Evite-a a qualquer preço. São raros os pranayamas que a utilizam: apenas shitali e shitkari, com o único objetivo de aliviar a sensação de calor, cansaço, fome ou sede.

10) Com a mí­nima projeção do ar. A compreensão do conceito de comprimento do alento é fundamental para atingir a perfeição na respiração yogika. O comprimento do alento é aquela distância í  qual podemos perceber o ar que sai pelas fossas nasais. Coloque a sua mão alguns palmos abaixo das narinas. Se você exalar com força sentirá o sopro chegando nela. Expirando com a mí­nima projeção do alento o fluxo do ar será imperceptí­vel, mesmo mantendo a mão bem perto do nariz. Quanto menor for essa projeção, maior será o controle do prana. Para sentir mais facilmente o ar na palma da mão, sugerimos umedecê-la.

Guia de Meditação



Pedro Kupfer

Texto extraí­do das páginas 50 a 52 da edição, de maio de 2000, do livro Guia de Meditação (1997), de Pedro Kupfer (Fundação Dharma, Florianópolis).

Visite o site do Pedro em www.yoga.pro.br

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