Deus investe em você

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Lakshmi, deusa da fortuna e da beleza na mitologia hindu

Lakshmi, deusa da fortuna e da beleza na mitologia hindu

» por Professor Hermógenes (1921-2015)

Sabemos que investimento é a aplicação de recursos visando a uma renda. Só se investe quando se confia que se obterá lucro.

Escolhe-se um investimento investigando três condições:

a) rentabilidade;
b) segurança;
c) liquidez.

Não há exagero em dizer que “Deus investe em você”.

Todos somos investimentos de Deus, porque Ele nos gera e nos mantém com Seus recursos, Suas energias e Seus poderes infinitos. Como todo investidor inteligente, Deus espera lealdade e rentabilidade. Quanto à liquidez, é a morte que determina a data do resgate.

Não há novidade no que digo. Foi meu GuruJesus – que, numa parábola, mostrou que somos investimentos de Deus:

Jesus pregando o Evangelho

Jesus pregando o Evangelho

“… é como um homem que ia se ausentar do paí­s, e chamou seus servos e lhes entregou seus bens, a um, cinco talentos, a outro, dois, e a outro, um, a cada qual segundo sua capacidade; e partiu. Imediatamente, o que recebera cinco talentos operou com eles e lucrou mais cinco. Igualmente, o de dois lucrou outros dois. Mas o que recebera um foi, cavou a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor. Depois de muito tempo, vem o senhor daqueles servos e ajusta contas. E vindo o que recebera cinco talentos, trouxe outros cinco, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; olha outros cinco que lucrei. Disse-lhe seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito; entra na alegria do teu senhor. Chegando também o de dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; olha outros dois talentos que lucrei. Falou-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito; entra na alegria de teu senhor. Vindo também o que recebera um talento, disse: Senhor, conheço-te que és homem duro, colhendo onde não semeaste e recolhendo onde não distribuí­ste, e, amedrontado, escondi teu talento na terra; olha, aqui tens o teu. Respondendo, então, disse-lhe o senhor: Servo infeliz e tí­mido, sabias que colho onde não semeei e recolho onde não distribuí­? Devias, então, ter confiado meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, teria recuperado o meu com juros. Tomai-lhe, portanto, o talento e dai-o ao que tem dez talentos, pois a todo o que tem será dado e sobrará; mas de quem não tem ser-lhe-á tomado até o que tem. E o servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; aí­ haverá choro e ranger de dentes.”
(O Evangelho segundo Mateus, 25:14 a 30)

A parábola dos talentos

A parábola dos talentos


É ou não uma história de investidor?

Confiou os talentos (moeda da época) aos servos; exigiu rentabilidade; e a liquidez foi por ele imposta ao regressar sem ter marcado prazo.

Quando se diz que alguém é um artista (cientista, educador, administrador, sacerdote…) de talento, quer-se significar que Deus lhe confiou muitos dons, capacidades e potencialidades. Ao contrário, quando se fala que alguém tem pouco talento, quer-se expressar que é carente de dons, capacidades e potencialidades.

Cada um de nós é um servo a quem o Senhor (Deus, a Vida Una) confiou, por algum tempo (que só Ele sabe), uma soma pequena ou grande de dons, capacidades, virtudes, poderes e energias. Dia virá em que Ele vai examinar a contabilidade. A uns (os bons administradores), a benção de um investimento ainda maior. A outros (os maus administradores), a condenação – “choro e ranger de dentes”. Ao gerente eficiente, a “alegria do Senhor”. Ao mau gerente, “as trevas exteriores”.

Que são talentos?

O corpo, este instrumento primoroso, é talento. São talentos essenciais: a alento que move os pulmões, o sangue que circula e nutre; a capacidade de ver, ouvir, tocar, cheirar, degustar; os pés que o levam; as mãos que trabalham; a boca que fala; o sistema emunctorial que limpa o corpo de seus dejetos.

São talentos: o pensar, o imaginar, o atentar, o concentrar-se, o avaliar, o lembrar-se, o julgar, o conhecer.

São talentos todos os recursos para viver, conviver, decidir, ascender e evoluir. Os talentos são tantos que é impossí­vel enumerar todos.

Quanto o Senhor investiu em você?

Você é dessas criaturas talentosas, criativas, inteligentes, fisicamente bem-dotadas, ricas de energia, com recursos econômicos fartos, bom status social, bem equipadas, bem nutridas, nascidas em famí­lia sadia e amorosa? Compare-se com a maioria.

Se, em confronto com a pobreza e a mediocridade, você se vê lá em cima, é porque recebeu os “cinco talentos”. Deus o tomou como seu mordomo, seu gerente, “conforme sua capacidade”.

Se você se sente pobre mas não tanto, isto é, remediado, é que o Senhor só investiu dois talentos em você.

Se, em última hipótese, suas condições fí­sicas, psicológicas, sociais e econômicas são desafiadoras e precárias, é que lhe foi confiado apenas um talentinho.

Seja qual for o caso, o investimento foi feito.

O que importa não é a quantidade de talentos investidos. O que decide é o resultado final, isto é, a rentabilidade proporcional.

O mordomo de uma só moeda foi castigado porque não apresentou rendimento, porque, acovardado pelo juí­zo errôneo que fazia do seu senhor (colheria onde não semeara e recolheria onde não teria distribuí­do), “enterrou os talentos”.

Há muita gente que só sabe temer Deus, do qual faz uma ideia equivocada (só espera a “ira de Deus”) e assim, acovardado, esconde os talentos (poucos ou muitos), o que, dessa forma, os torna improdutivos.

Pela lição da parábola, tendo pouco ou muito, é essencial que administremos, com a maior eficiência possí­vel, tudo quanto Deus nos confiou. E ficamos sabendo que, ignorantes sobre a magnanimidade de Deus, isto é, por medo, podemos ser levados a frustrar a confiança que Ele em nós deposita.

Imensamente pior do que não fazer render, por causa do medo, é, no entanto, perder os talentos ou perverter sua aplicação.

O mundo está padecendo, já padeceu e está ameaçado de padecer ainda mais por causa do emprego diabólico de grandes talentos. A História está cheia de sangue e horror porque indiví­duos muito talentosos traí­ram a confiança do Senhor e criminosamente utilizaram (muitos continuam utilizando) seus dons na promoção da desgraça individual e coletiva. Homens prodigiosamente talentosos, ainda hoje, com a maior crueldade e frieza, promovem o sofrimento de populações inteiras.

Artistas, cientistas, estadistas, empresários, intelectuais, lí­deres de todas as áreas, ricamente dotados, verdadeiros gênios, ainda hoje, em seu proveito, em proveito de seus partidos ou de suas famí­lias, e em frontal detrimento do Senhor, continuam a utilizar seus dons e dotes para perturbar, explorar, esmagar e destruir a Paz, a Liberdade e a Saúde de milhões de seres humanos. Intelectuais, publicitários, dramaturgos e artistas, ricos de talentos, estão, infelizmente, não construindo, mas destruindo valores morais, princí­pios éticos e até mesmo a saúde mental de multidões que se deixam manipular e conduzir. É uma calamidade para ambos os lados: para os manipulados, que somem e se consomem na mediocridade imbecil, e para os manipuladores, que se comprometem, assumindo dívidas imensas com o verdadeiro Dono dos talentos. Para estes, “choro e ranger de dentes” ainda são amenidades. Tenho pena de todos.

Os bons administradores são os lí­deres que usam seus talentos para a promoção do Bem, da Justiça, da Paz, da Sanidade, da Fartura, da Harmonia, da Segurança, mas, principalmente, do processo evolutivo daqueles sobre os quais têm influência. A esses: “Muito bem, servos bons e fiéis, que entrem na alegria do Senhor”.

A parábola termina com uma sentença paradoxal, que parece a proclamação de uma tremenda injustiça: “… a todo que tem será dado e sobrará; mas de quem não tem ser-lhe-á tomado até o (pouco) que tem”.

Essa de enriquecer ainda mais os ricos e empobrecer ainda mais os pobres não é nada divina. A injustiça social está aí­ mesmo, fazendo exatamente assim. Como o Senhor-de-Justiça-e-de-Misericórdia faria o mesmo que os perversos donos do poder no mundo?

Na parábola, aquele “que tem” (dez talentos) é porque administrou com eficiência os cinco talentos que lhe foram antes confiados. Aquele “que não tem”, não tem porque, acovardado, frustrou a confiança e as esperanças do Investidor.

Não é justo que aquele “que tem” receba ainda maior soma de talentos?

Não é justo que o mau administrador, que perdeu a confiança do Investidor, seja destituí­do? Destituí­do não só, mas punido?

Quando uma dessas financeiras, que administram poupanças populares, dá um prejuí­zo fraudulento aos investidores, não merece a punição da Justiça?

O fato de um bom administrador receber ainda mais e um mau administrador sofrer punição é um cumprimento da divina Lei do Karma, isto é, a Lei de causa e efeito, associada à Lei da transmigração1.

Em cada existência, nascemos com os talentos de que, em nossa administração anterior, nos fizemos credores.

Há os que nascem com crédito.
Capa do livro Deus investe em você, do Professor Hermógenes

Capa do livro Deus investe em você, do Professor Hermógenes

Há os que nascem com débito.

Você compreendeu que seus talentos atuais lhe foram confiados pelo Divino Investidor para fazê-los render?

Tudo que você é e tem é investimento.

Cuidado com o que vai fazer deles. Evite frustrar a expectativa do Senhor, enterrando os talentos improdutivamente. Muito mais ainda, evite trair o Senhor, empregando na calamidade o que lhe foi entregue para promover o bem.

Aqui, neste livro, ofereço algumas sugestões visando a ajudá-lo a corresponder à esperança d’Aquele que investe em você.

Depois de ler e refletir, sua responsabilidade ainda mais se acentua. Mas é melhor estar alertado e ser prudente. Não é?


Texto extraí­do das páginas 13 a 18 da edição, de 1985, do livro Deus investe em você, de José Hermógenes, e digitado por Cristiano Bezerra em 18 de setembro de 2001.

  1. Reencarnação. (Nota do Digitador/Editor) []
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