Hatha Yoga e vertigem

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Cristiano em variação de parivrtta hasta padangusthasana, uma postura de equilíbrio com torção, na sala de Yoga do Ar+Zen. Foto por Ana Lorena Magalhães

Cristiano em variação de parivrtta hasta padangusthasana, uma postura de equilíbrio com torção, na sala de Yoga do Ar+Zen. Foto por Ana Lorena Magalhães


» por Dr. Luís Mário Duarte

É muito comum encontrarmos alunos que advertem aos seus professores de Hatha Yoga que sofrem de “labirintite”, querendo dizer, na verdade, que sofrem de vertigem.

A vertigem é o sintoma cardinal de uma doença vestibular (sistema responsável pelo equilíbrio do corpo). A vertigem é a sensação de movimento quando este não existe ou uma sensação exagerada de movimento em resposta a um dado movimento do corpo. Vertigem não é apenas uma sensação de rodopio ou giro, mas também uma sensação de movimento pendular lateral ou queda para frente ou para trás, ou ainda de que o chão está rodando abaixo dos pés. A vertigem deve ser distinguida do desequilíbrio, da sensação de leveza da cabeça e da síncope (perda abrupta da consciência seguida de queda). A vertigem pode resultar de uma vestibulopatia periférica ou central.

Caso o aluno não venha com um diagnóstico médico, o seu instrutor deve recomendar-lhe a consulta a um especialista (neurologista ou otorrinolaringologista), e também notar se o praticante apresenta nistagmo (movimento involuntário dos olhos), tinitus (zumbidos no ouvido), perda de acuidade auditiva, náuseas ou vômitos, bem como observar a duração da vertigem (segundos, horas, dias ou meses), além de perguntar se houve, antes do surgimento do problema, algum trauma craniano, infecção, doença sistêmica, anemia, ansiedade, problemas na coluna cervical (insuficiência vertebrobasilar) ou se usa algum medicamento como antibióticos, anticonvulsivantes, hipnóticos, analgésicos, ansiolíticos ou álcool.


As síndromes da vertigem de origem periférica podem originar-se da hidropsia endolinfática (Síndrome de Meniere), uma distensão do compartimento endolinfático do ouvido interno em que a pressão da endolinfa aumenta significativamente. Pode originar-se, também, de uma labirintite, cuja causa é desconhecida, mas que é frequentemente seguida de uma infecção do trato respiratório alto. O início da vertigem, nesse caso, é agudo, grave ou contínuo, durando dias, e é acompanhado de tinitus e de perda de audição. Outras causas de vertigem periférica são a neuronite vestibular, a vertigem posicionante e a fístula perilinfática.

As síndromes de vertigem de origem central são em razão de doença vascular e tumores do tronco encefálico e cerebelo, malformação arteriovenosa, esclerose múltipla, ansiedade, depressão e enxaqueca vertebrobasilar.

O Hatha Yoga pode oferecer muitos benefícios para quem sofre de vertigem, já que a forma mais eficiente de tratá-la é seguir um protocolo de habituação, onde se procura aumentar a habilidade do sistema nervoso central em compensar a disfunção do labirinto. Técnicas de relaxamento em shavasana e em dhyanasanas, trikonasanas, sarvangasana, bhastrika pranayama, anuloma viloma pranayama e rotação cervical são as mais indicadas. Consulte o seu professor. Ele está capacitado a ajudá-lo.


Dr. Luís Mário Duarte é médico psiquiatra e neurologista no Rio de Janeiro.

Texto extraído da edição de julho de 2000 da revista O Atma, e digitado por Cristiano Bezerra em 6 de janeiro de 2002.

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Comentários

Hatha Yoga e vertigem — 1 comentário

  1. Olá! Tomei conhecimento deste site Yoga Pleno através de minha filha Jéssica, que participa desse ensinamento de Yoga. Meu médico é o Dr. Luís Mário, um ser de Luz. Parabéns, Dr. Luís Mário. Sem você eu jamais poderia estar escrevendo essas poucas palavras. Muito grata ao meu anjo sem asas.

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