Ishvarapranidhana, a entrega a Deus

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Hanuman abraçando Sri Rama» por José Hermógenes (1921-)

Meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que me enviou.
João, 4:34


Quando os Mestres sugerem Ishvarapranidhana, querem dizer ao caminhante: “entregue-se a Deus”. Se o caminhante é cristão, ele se dá ao Cristo. Se é hinduí­sta, dá-se a Ishvara, Krsna, Kali… ou outra expressão bem-aventurada de Deus. Se é budista, entrega-se ao Buddha Amida…

Budista, hinduí­sta, cristão, judeu, maometano, sufi, baha’i, mazdaí­sta, vedantino… o yogin pauta sua vida pela Vida Divina, procura harmonizar seu comportamento com a lei do Eterno… e seu mantra, sua ladainha, seu cântico predileto é “seja feita a Vossa Vontade”.

O devoto, em sua humildade, torna-se sábio e alcança a felicidade se assim pensa: “Não sou eu, filho distante e perdido, que posso saber o que é melhor para mim. Pode ser uma alegria. Pode ser uma tristeza. Pode ser uma ascensão. Pode ser uma queda. Pode ser um aplauso. Pode ser uma vaia. Pode ser uma satisfação ou uma privação. Vindo de Deus, eu recebo”.

Confiar-se a Deus só pode ser conveniente. Ele é Onisciente, portanto sabe o melhor para nós. É Onipotente, portanto nada lhe é impossí­vel. Entregar-nos a Deus é alí­vio, é paz, é remédio, é solução.

Entregar-se a Deus – viveka, alerta – pode conduzir-nos í  abdicação covarde diante do dever, do que temos de fazer, de nosso dharma. Cada ser humano tem um papel a cumprir. É responsável por ele. Tem de prestar contas se falhar ou negligenciar. O yogin não regateia esforços, ações, palavras… Tudo que pode ele faz, mas não se perturba se os resultados de seu agir não correspondem. A ação, ele reconhece, é obrigação sua. Os frutos da ação pertencem a Deus.

No seu dia-a-dia, o yogin está aberto ao que vier do Senhor. Quando deseja algo, trata de ser de acordo com o plano de Deus.

O yogin tem fé absoluta na sabedoria e na justiça dos desí­gnios de Deus. Ele sabe que Deus nos dá na medida em que merecemos e na medida em que precisamos. Sua justiça e sabedoria, digamos sua benignidade, podem vir na forma de um tormento que, aos “olhos que não vêem”, parece até maldade Sua.

Aos que choram abandono, ingratidão, preterição, traição, desastre, falência, doença, queda… os Mestres receitam o mágico remédio que é a humildade e a sábia aceitação. Ensinam a dizer: “Entrego-me a Deus, haja o que houver, e assim encontro a Paz”.

Yoga: caminho para Deus


Texto extraí­do das páginas 99 a 102 da 12a edição, de 1996, do livro Yoga: caminho para Deus (1984), de José Hermógenes
(Editora Nova Era, Rio de Janeiro), e digitado por Cristiano Bezerra em 18 de junho de 2001.

Visite o site do Professor Hermógenes em www.profhermogenes.com.br

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