Karma Yoga, a ação que liberta

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Arjuna e Krsna
» por José Hermógenes (1921-)

Assim também a fé,
se não tiver obras,
é a morte em si mesma.

Tiago, 2:17


Seres humanos ativos, empreendedores, atuantes no meio, se divinizarem suas ações, no serviço que prestarem, encontrarão a Paz.

A divinização do agir é o que se chama Karma Yoga.

O karma yogin é o atuante lúcido, dentro do dinamismo universal do qual faz parte.

Ele sabe que, segundo a Lei do Karma, nenhuma de suas ações, omissões e expressões deixa de semear causas que se farão colheitas no futuro. Sabe que o hoje colhe o ontem e semeia o amanhã. Bem e mal, infalivelmente, determinarão suas consequências. Quem é bom colherá o bem. Quem é mau, o mal.

Ciente da lei justa, o yogin, sem reclamar, sem relutar, assume as consequências dolorosas de dí­vidas antigas. Ciente da lei justa, como que confecciona seu amanhã, comportando-se convenientemente hoje.

O yogin ama e serve seus semelhantes porque os outros e ele também são manifestações concretas do mesmo Abstrato, são expressões imperfeitas da Perfeição Una.

A ação perfeita liberta o yogin porque, tendo ele superado a separatividade, não vendo ele e os outros separados, não vendo Deus perdido nas distâncias que a ilusão semeia, não cria méritos ou deméritos, créditos ou dí­vidas ao agir, pois já não há um ego desejoso por colher frutos bons das ações boas ou temeroso dos frutos amargos das más ações.

Quando o yogin age não credita a si mesmo os resultados da ação. Credita-os a Deus, pois que se reconhece mero instrumento nas mãos cósmicas do Senhor. Deus é o agente. Ele, a ferramenta. Tudo quando o yogin faz, oferta a Deus e, por isso mesmo, só faz o que possa ser oferenda.

Se o yogin não melhorar sua percepção da Realidade, isto é, se não usar viveka, pode perder-se na viagem.

Ele precisa ficar alerta para evitar que a ação redentora venha a tornar-se a caridade comum, ou seja, a compra de ingresso no céu, mediante a ajuda aos necessitados.

Sem discernimento, o yogin pode, tangido pelo ardor de servir, vir a exaurir-se no trabalho e adoecer ou desequilibrar-se.

Sem discernimento, o yogin imprudente, pensando que está atuando no interesse de Deus, está tentando faturar para o ego. E isso é funesto ao caminhante.

Sem amor não há Karma Yoga. É o amor que falta na caridade vulgar dos “chás de caridade”.

Enquanto amamos quem servimos, negligenciamos possí­veis desejos de promoção ou afirmação pessoal.

O yogin ama servir e serve amando, e por isso é feliz.

Yoga: caminho para Deus


Texto extraí­do das páginas 123 a 127 da 12a edição, de 1996, do livro Yoga: caminho para Deus (1984), de José Hermógenes (Editora Nova Era, Rio de Janeiro), e digitado por Cristiano Bezerra em 14 de junho de 2001.

Visite o site do Professor Hermógenes em www.profhermogenes.com.br

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