Nordeste em alta » entrevista com Cristiano Bezerra na revista Yoga Journal

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Cristiano em preparatório do janusirshasana na sala de Yoga do Ar+Zen » foto por Ana Lorena Magalhães

Cristiano em preparatório do janusirshasana na sala de Yoga do Ar+Zen » foto por Ana Lorena Magalhães

» por Thays Biasetti

Yoga Journal – Você é um dos professores mais antigos do Nordeste. O que mudou desde quando você começou?

Cristiano Bezerra Na realidade, não sou um dos mais antigos instrutores de Yoga aqui em Fortaleza, pois estou atuando há apenas 13 anos, e até hoje continuam em atividade algumas das pioneiras do ensino do Yoga em nossa cidade, como a professora Neusa Veríssimo, que desde o final da década de 60 ministra suas aulas, e a indiana Ved Arora, que foi minha primeira professora de Yoga, em 1989, e atua desde o final da década de 70.

Cristiano em sirshasana, a postura sobre a cabeça, na sala de Yoga do Ar+Zen » foto por Ana Lorena Magalhães

Cristiano em sirshasana, a postura sobre a cabeça, na sala de Yoga do Ar+Zen » foto por Ana Lorena Magalhães

A grande mudança que percebi desde 2001, quando comecei a ministrar minhas aulas, e tive a oportunidade histórica de ter sido pioneiro na prática e ensino do Ashtanga Vinyasa Yoga em nossa cidade, e talvez no Nordeste, após minha primeira Formação em Yoga, em julho daquele ano em Florianópolis (SC), foi uma mudança de paradigma em relação à forma de se praticar e se ensinar Yoga em nossa cidade, pois até então havia apenas o Hatha Yoga “tradicional”, nos poucos espaços destinados ao seu ensino. Com essa introdução do Ashtanga Yoga, abriu-se as portas da prática do Yoga para um público mais diversificado, que se identificou com uma prática mais dinâmica, intensa e forte, e algumas das minhas primeiras alunas (como Camila Pagliuca, Ananda Banhos, Yelw Felício e Mariana Kayatt) depois se tornaram instrutoras e atuam até hoje. Tive também, desde então, a iniciativa de promover inúmeros cursos, workshops e algumas formações em Yoga, trazendo diversos professores do Sul, do Sudeste e do Exterior, apresentando não somente outras modalidades de prática de Yoga como também aprofundando a visão, o entendimento e a compreensão da prática do Hatha Yoga no seu contexto mais próximo do original. Além disso, o lançamento em nosso país de periódicos como os Cadernos de Yoga, desde 2004, e da própria versão brasileira da Yoga Journal, em 2007, bem como os diversos sites ricos de conteúdos relevantes, como o yoga.pro.br, do meu professor, Pedro Kupfer, nos ajudou na divulgação mais ampla, séria e correta do Yoga para um público cada vez maior. Entendo que tudo isso contribuiu para ampliar não só o leque de possibilidades da prática do Yoga em nossa cidade de Fortaleza e na região Nordeste como também vem alcançando um público cada vez mais amplo e diversificado.

Cristiano em variação de vasisthasana, a postura de Vasistha, um sábio indiano da antiguidade, na sala de Yoga do Núcleo Sol » foto por Paola Marques

Cristiano em variação de vasisthasana, a postura de Vasistha, um sábio indiano da antiguidade, na sala de Yoga do Núcleo Sol » foto por Paola Marques

Yoga Journal – Como você vê a situação do Yoga no Nordeste atualmente?

Cristiano Bezerra Não tenho como avaliar a situação do Yoga no Nordeste em geral, pois não tenho viajado pelas diversas capitais, mas posso apenas falar sobre a nossa realidade local daqui de Fortaleza. Desde o ano passado, e talvez um pouco antes, temos visto um novo ciclo de crescimento do número de praticantes, ou uma nova onda de interesse do público em geral pela prática do Yoga, e atribuo isso não só ao significativo aumento da quantidade de bons instrutores como também à boa divulgação que cada um vem fazendo não somente do Yoga como também do seu próprio trabalho, sobretudo pelas diversas mídias sociais, além da natural divulgação que muitos de nossos alunos vêm fazendo da prática do Yoga, postando fotos suas praticando asanas, e isso também vem naturalmente despertando um interesse de seus amigos conectados a essas mídias.

Cristiano em matsyasana, a postura do peixe, na sala de Yoga do Ar+Zen » foto por Ana Lorena Magalhães

Cristiano em matsyasana, a postura do peixe, na sala de Yoga do Ar+Zen » foto por Ana Lorena Magalhães

Yoga Journal – Quais são as maiores dificuldades que enfrenta?

Cristiano Bezerra A maior dificuldade que enfrento atualmente é a carência de uma boa quantidade de espaços em nossa cidade com estrutura adequada ao ensino do Yoga, o que fez saturar esses poucos espaços existentes com uma quantidade expressiva de bons profissionais, que acabam ficando sem muitas opções de dias e horários para ministrar suas aulas semanais em turmas.

Cristiano em vajrasana, a postura do diamente, na sala de Yoga do Ar+Zen » foto por Cristiane Brito

Cristiano em vajrasana, a postura do diamente, na sala de Yoga do Ar+Zen » foto por Cristiane Brito

Yoga Journal – O Nordeste tem sido palco de grandes eventos de Yoga, como o Festival de Yoga Salvador e o Festival de Yoga e Plenitude de Recife. Por que você acha que o Yoga tem se expandido tanto? Quais fatores influenciam para esse sucesso?

Cristiano Bezerra Acredito que isso se deva ao bom trabalho consistente dos profissionais nessas duas cidades, aliado à riqueza de boas informações e conteúdos sobre Yoga veiculados nos periódicos impressos supracitados e sites de Yoga do nosso país, bem como a estratégica localização geográfica dessas duas capitais, que tem podido convergir nesses grandes eventos os praticantes e profissionais das capitais vizinhas, bem como alguns da região Sudeste.

Yoga Journal – Como você imagina o Yoga no Nordeste em alguns anos? Quais objetivos e planos pretende alcançar?

Capa da revista Yoga Journal nº 60, de março/abril de 2014

Capa da revista Yoga Journal nº 60, de março/abril de 2014



Cristiano Bezerra Pessoalmente, através não só das minhas aulas aqui em Fortaleza como também através do meu website, www.yogapleno.com.br, pretendo zelar pela boa divulgação de um Yoga autêntico, sério e responsável, que prime não tanto pela quantidade de praticantes, mas pela boa qualidade dos mesmos, sem fazer concessões aos modismos descontextualizados da tradição yogika.


Essa entrevista foi originalmente publicada em www.yogajournal.com.br

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