O agora tem um poder indescrití­vel » entrevista com Robert Broughton

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Robert Broughton» por Rose Mary Bezerra

Não existe nada de errado em sofrer. É através do sofrer que cada um se volta e olha para dentro de si. O estado natural do sersatisfação, contentamento, bem-estar e paz – está sempre com cada um, na presença de cada momento. O esquecimento disso nos retira do agora. Foi o que descobriu o australiano Robert Broughton, músico que largou o rock para trilhar um caminho espiritual, virou vendedor e descobriu o poder de estar presente. Ele esteve em Fortaleza nos dias 5 a 7 de dezembro de 2008 ministrando o workshop O Poder Além da Mente. Leia aqui a entrevista concedida ao suplemento Viva do jornal Diário do Nordeste por e-mail.

Rose – Poderia nos esclarecer por que o agora tem tanto poder?

RobertO agora tem tanto poder porque é a fonte de toda a existência material. É a fonte de todo o poder. Tudo o que pensamos e fazemos origina-se no agora.

Rose – E por que se sofre tanto?

Robert – Quando a mente humana tenta entender o futuro, quer controlá-lo. Não pode fazer isso, mas se agarra a essa ilusão e também à ilusão de que o passado pode vir a revelar alguma informação que fará o futuro mais fácil de controlar. A vida não funciona dessa maneira. Então, a mente torna-se frustrada, ansiosa e preocupada. Tenta pensar mais para resolver o problema e cai em sua própria armadilha. Entra em pânico até se entregar e se dissolver no presente. A Paz é, então, sentida.

Rose – Os males psicossomáticos são provenientes de a mente nos levar a viver essa dinâmica?

Robert – Psicossomático quer dizer doença que se origina na mente. Esse tipo de doença é resultado de condicionamento incorreto na infância. O mais profundo condicionamento é o pensamento raiz “eu não sou bom o suficiente“. Isso faz com que os seres humanos comecem a duvidar das razões básicas da sua existência. Nós estamos neste planeta para aprender a nos amar e para despertar a Consciência Universal. Quando uma criança começa a acreditar que não é boa o suficiente, a vida parece um lugar perigoso, perde a confiança nas pessoas e um estado de tensão constante aparece. Sente-se ameaçada e reage a ameaças inexistentes. Essa tensão é causa um grande estresse no corpo e resulta em doenças.

Rose – A ansiedade e o ví­cio de se preocupar com o que ainda não aconteceu são distorções?

Robert – Sim. O poder do agora não pode ser entendido. Entendimento vem do pensamento. O agora é algo que sentimos. De fato, não é “algo”, mas é “coisa nenhuma”. Não é um objeto a ser apreendido pela mente. Isso é difí­cil de se dar conta no começo. Podemos começar com um entendimento mental, mas chega um certo ponto que necessitamos deixar isso para lá e simplesmente sentir.

Rose – Como chegou ao estilo de vida atual de viver no agora?

RobertViver o agora é simplesmente não estar preocupado com nada. Não existe ansiedade, apenas paz e sentimento de harmonia com a vida e com as pessoas. Meu estilo de vida não é ocupado, e isso é importante. Eu tiro um tempo todos os dias para estar sozinho e sentir a vida, me mantendo saudável. E caminho muito. Até os 40 anos eu vivia uma vida preocupada e ansiosa. Então, uma noite, na minha casa, experimentei o agora por cerca de duas horas, e, depois, tudo estava em paz. Pude ver a minha mente muito claramente e vi que era como um macaco: sempre pulando em todas as direções e causando problemas. Percebi uma parte de mim que poderia observar esse macaco e, então, ele não me controlou mais. O meu macaco agora é um garoto pací­fico e amigável.

Rose – Nossos problemas decorrem de não estarmos presentes?

Robert – Não existe essa coisa chamada de “problema“. Existe apenas situações que a vida nos traz para aprendermos com elas. É a mente que transforma essas situações em problemas. Estarmos presentes é lidarmos com essas situações, aprendermos com elas e nos movermos para frente. Quando estamos presentes não temos necessidade alguma de criar violência, pobreza, egoí­smo. Não precisamos destruir nosso meio ambiente.

Rose – Por que tanta dificuldade em estarmos no aqui e no agora?

Robert – Um paradoxo existe aqui: se deixamos o pensamento para lá, é muito fácil. No entanto, se lutamos para entender o agora através da mente, vai parecer muito difí­cil. No começo essa luta é “normal”, mas muda para um estado natural, o agora.

Rose – O que pode ocorrer na sociedade se cada vez mais pessoas se presentificarem?

RobertUma grande mudança está por vir no planeta. A maneira de viver dominada pelo pensamento não será mais possí­vel. Muitas estruturas vigentes, criadas por mentes em estado de ignorância e apoiadas pelo interesse de algumas pessoas – como o sistema financeiro internacional -, entrarão em colapso. Essas mudanças forçarão as pessoas a acordarem do sonho do pensamento e as jogarão na Presença. Entrar em pânico dificultará a sobrevivência.

Rose – As pessoas sofrerão para alcançar o agora? A meditação ajuda? De que modo?

Robert – Para a maioria das pessoas, muito sofrimento é necessário antes que a tranquilidade aconteça. Não existe nada de errado com o sofrimento, pois é através dele que olhamos para dentro, para saber quem somos. Sofrimento e paz são ambos eventos divinos. Quando entramos no agora nos sentimos abençoados por haver sofrido. Levantaremos nossos braços para a Vida, em gratidão. A meditação pode ajudar, mas eventualmente devemos ir além dela. A mente tem três características: é traiçoeira, confusa e poderosa. Ela pode apoderar-se da meditação – às vezes a transforma em uma nova identidade egóica – e fazer os benefí­cios dela serem perdidos. Apenas através da percepção pura (capacidade de observar a própria mente) conseguimos superar a mente.



http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=593705

Entrevista originalmente publicada na edição do dia 30 de novembro de 2008, domingo, do suplemento Viva do jornal Diário do Nordeste (online em www.diariodonordeste.com.br/viva) e realizada via e-mail por Rose Mary Bezerra no final de novembro de 2008.

Visite o site de Robert Broughton em www.robertbroughton.com





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