Satsanga

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Estudantes de Vedanta em Fortaleza com a Profª Gloria Arieira em maio de 2007

Estudantes de Vedanta em Fortaleza com a Profª Gloria Arieira em maio de 2007

» por Gloria Arieira (1953-), do Vidya Mandir

Satsanga é ficar em companhia de pessoas que possuem o conhecimento claro de sua própria natureza absoluta, ou daquelas que buscam esse mesmo autoconhecimento.

O momento de encontro acompanhado de conversas, perguntas/respostas ou canções cantadas em conjunto é chamado Satsanga. Esses momentos são importantes fontes de inspiração para os que valorizam o conhecimento de si mesmo e querem viver suas vidas com a clareza do Ser Imutável que são.

Através de dúvidas suas e de outros que são elucidadas, nasce maior clareza, e o ambiente informal une essas pessoas que têm para si o mesmo objetivo.



Curso Intensivo de Vedanta em Fortaleza com a Profª Gloria Arieira em maio de 2007. Foto por Denise Mustafa.

Curso Intensivo de Vedanta em Fortaleza com a Profª Gloria Arieira em maio de 2007. Foto por Denise Mustafa.

Esses momentos podem acontecer uma ou mais vezes por semana. Porém, o melhor Satsanga não é um encontro semanal, mas todos os momentos diários da vida.

Conviver todos os dias com pessoas que querem descobrir em si mesmas os valores que conduzem ao conhecimento (chamados jñana, conhecimento, no capí­tulo XIII da Bhagavad Gita), escutar, refletir e meditar sobre o Atman, o Ser Imutável, é o Satsanga ideal.

Um deve ser para o outro constante inspiração, estí­mulo e auxí­lio para o conhecimento, na forma de meios para antahkaranashuddhih, a preparação da mente, e jñananistha, a clareza do conhecimento e sua constante vivência.

Além de conviver constantemente com outros que também desejam o Absoluto, o maior Satsanga é o contato direto com pessoas que vivem a realização do Atmabrahman. Pessoas cujas vidas são o próprio exemplo da plenitude do conhecimento.



Adi Shankaracarya (788-820 d.C.)

Adi Shankaracarya (788-820 d.C.)

Nosso grande mestre, Sri Adi Shankaracarya (788-820 d.C.), diz no conhecido texto Bhaja Govindam:

Satsangatve Nissangatvam
Nissangatve Nirmohatvam
Nirmohatve Niscalatatvam
Niscalatatve Jí­vanmuktah


Na companhia daqueles que buscam a Verdade, nasce o desapego.
Com o desapego, a ilusão se vai.
Quando a ilusão se vai, a Realidade Imutável torna-se clara.
Com o conhecimento da Realidade Imutável,
o indiví­duo torna-se liberado ainda em vida.

Sanga é associação, companhia, contato e, até mesmo, apego. Satsanga, a associação com pessoas que desejam Sat, o Real, o Ilimitado, conduz à nissanga, a ausência da necessidade de estar sempre em companhia de pessoas, apegado a objetos. A ausência dessa necessidade nasce da análise, do questionamento, que é viveka, que tem como consequência vairagya, o desapego natural e gradual. Isto é, a ausência da ilusão e a presença da mente clara para analisar a si mesmo e apreciar o seu verdadeiro Ser, Consciência Sem Limites. Essa compreensão resolve a pergunta original do ser humano: quem sou eu? Para onde caminho? Respondendo a essas questões, vivendo, você está liberado do sofrimento de ignorar ser o que você já é e ainda deseja ser.
Estudantes de Vedanta em Fortaleza com a Profª Gloria Arieira em maio de 2007

Estudantes de Vedanta em Fortaleza com a Profª Gloria Arieira em maio de 2007


Texto extraí­do do Informativo Vidyamandir de janeiro de 1991, do Vidya Mandir – Centro de Estudos de Vedanta e Sânscrito, do Rio de Janeiro, e digitado por Cristiano Bezerra em de fevereiro de 2002.

Gloria Arieira (1953-)

Gloria Arieira (1953-)

Gloria Arieira (1953-) é a Diretora Presidente do Vidya Mandir – Centro de Estudos de Vedanta e Sânscrito, fundado em 1984 no Rio de Janeiro para facilitar o seu trabalho de ensino dentro da mesma tradição de ensinamento dos primeiros sábios, os rishis dos Vedas. Em janeiro de 1974 foi para a Índia estudar com Swami Dayananda, que se tornou seu mestre. Com ele estudou até julho de 1978, retornando então ao Brasil. Além de permanecer no ashram Sandeepani Sadhanalaya, um local de estudo e vivência com o mestre, em Mumbai, também estudou em outros ashrams em Uttarkashi e Rishikesh, norte da Índia. Viajou também para lugares nas várias regiões da Índia para participar de cursos, palestras e visitas a locais sagrados, como os templos de Tamil Nadu e Kerala, conhecendo melhor a tradição cultural dos Vedas. Desde seu retorno, vem ensinando Vedanta e sânscrito no Rio de Janeiro e em outras cidades do Brasil e também em Buenos Aires, Argentina. Dedica-se também ao trabalho de tradução para o português dos textos em sânscrito, como a Bhagavad Gita, as Upanishads e vários outros. É responsável pela publicação em português dos livros de Swami Dayananda, editados pela Vidya Mandir Editorial. Saiba mais sobre seu trabalho em www.vidyamandir.org.br


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