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Professor Hermógenes (1921-2015) caminhando. Foto por Marcelo Buainain em 2005.

Professor Hermógenes (1921-2015) caminhando. Foto por Marcelo Buainain em 2005.

» por Professor Hermógenes (09/03/1921 – 13/03/2015)

Se, ao final desta existência,
alguma ansiedade me restar
e conseguir me perturbar;
se eu me debater aflito
no conflito, na discórdia…

Se ainda ocultar verdades
para ocultar-me,
para ofuscar-me com fantasias por mim criadas…

Se restar abatimento e revolta
pelo que não consegui
possuir, fazer, dizer e mesmo ser…
Se eu retiver um pouco mais
do pouco que é necessário
e persistir indiferente ao grande pranto do mundo…

Se algum ressentimento,
algum ferimento
impedir-me do imenso alí­vio
que é o irrestritamente perdoar,
e, mais ainda,
se ainda não souber sinceramente orar
por quem me agrediu e injustiçou…

Se continuar a mediocremente
denunciar o cisco no olho do outro
sem conseguir vencer a treva e a trave
em meu próprio…

Se seguir protestando
reclamando, contestando,
exigindo que o mundo mude
sem qualquer esforço para mudar eu…

Se, indigente da incondicional alegria interior,
em queixas, ais, e lamúrias,
persistir a buscar consolo, conforto, simpatia
para a minha ainda imperiosa angústia…

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medí­ocres que o mundo vende…

Se insistir ainda que o mundo silencie
para que possa embeber-me de silêncio,
sem saber realizá-lo em mim…

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construí­das com os materiais
grosseiros e frágeis
que o mundo empresta,
e eu neles ainda acredito…
apagar

Se, imprudente e cegamente,
continuar desejando
adquirir,
multiplicar,
e reter
valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
na ânsia de ser feliz…

Se, ainda presa do grande embuste,
insistir e persistir iludido
com a importância que me dou…

Se, ao fim de meus dias,
continuar
sem escutar, sem entender, sem atender,
sem realizar o Cristo, que,
dentro de mim,
Eu sou,
terei me perdido na multidão abortada
dos perdulários dos divinos talentos,
os talentos que a Vida
a todos confia,
e serei um fraco a mais,
um traidor da própria vida,
da Vida que investe em mim,
que de mim espera
e que se vê frustrada
diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
terei parasitado a vida
e inutilmente ocupado
o tempo
e o espaço
de Deus.
Terei meramente sido vencido
pelo fim,
sem ter atingido a Meta.


Texto extraído das páginas 115 a 118 da 4a edição, de 1991, do livro Canção Universal (1979), de José Hermógenes (Editora Nova Era, Rio de Janeiro), e digitado por Cristiano Bezerra em 4 de fevereiro de 2006.



Você lerá Canção Universal, se comovendo, mas, principalmente, ganhando uma nova visão sobre Deus, o mundo e você mesmo. Você não terminará a leitura desse livro sem se ter transformado, sem se sentir mais liberto, tranquilo, sadio, maduro e mais feliz.

Finalmente, Hermógenes é filósofo, místico, poeta, ou somente um irmão de todos, que escreve para todos os que sofrem, que buscam coerência e paz na vida, para todos que estão insatisfeitos com a brutalidade de nossa época? Ele é assim como um mergulhador que vai aos abismos da Sabedoria Universal e vem à tona, dando-nos alimento espiritual, jóias lindas, mas principalmente esperança e coragem para viver.

Canção Universal é lindo como um apanhado de flores campestres, luminoso como um Sol de verão e profundo como as raízes das maiores árvores.

Canção Universal é resposta ao aflito, apreensivo com o caos do mundo, com o desvario das almas arrastadas na maré crescente de dor e prazer, que em quase desespero buscam compreender. É resposta ao que ficou angustiado pela constatação de sua fragilidade, de seu vazio, de sua tediosa solidão. É resposta àquele que se sente frustrado com os valores, os status, os poderes e os prazeres que andou faturando.

Sua leitura enternece, pois é Canção.

Sua mensagem eleva, pois é Universal.

Ler apenas é pouco.

É pouco ler apenas uma vez. O livro é elaborado de tal forma que o leitor se torna um co-autor, pois cada frase é uma isca para pescar o pensamento, um desafio à reflexão; e cada página, um impacto na sensibilidade. Ninguém lerá Canção Universal sem participar, sem se deixar cativar, sem meditar, sem criar, sem optar, sem concluir.

O mundo precisa cantar uma canção que seja universal.


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