Tapas, a austera disciplina

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José Hermógenes em vrischikasana nos anos 1960» por José Hermógenes (1921-)

Entrai pela porta estreita;
porque larga é a porta e espaçosa a estrada que conduz à destruição,
e muitos são os que entram por ela;
ao passo que é estreita a porta e apertada a estrada que conduz à Vida,
e poucos são os que a acham.

Mateus, 7:13-14


Se o caminhante tem as pernas frágeis para tão longo e duro caminho, deve fortalecê-las antes de começar a andar.

Quanto os Mestres aconselham – pratiquem tapas – estão querendo salvar os caminhantes de uma provável derrota.

Eles têm visto muitos, que partiram afoitos e foram batidos pelas árduas provas na estrada.

A estrada não é para os que cedem às fadigas, aos desconfortos, às ciladas, aos desafios, às barreiras…

A estrada não é para os indisciplinados, para os que amam o conforto, para os entregues aos prazeres sensuais, para dengosos e lânguidos, para mofinos e covardes…

O yogin, praticando tapas, queima, no fogo da austeridade, as sementes da impureza. E se defende de todos os cansaços, desânimos, preguiças, fossos e fossas.

Sem discernimento (viveka), a prática de tapas degenera em ascetismo masoquista, em mortificações e em auto-agressões que danificaram o corpo e a mente de tantos religiosos do passado.

Tapas é para dar ao corpo higidez, energia e resistência e para prolongar-lhe juventude e vida. Para isso é que o Hatha Yoga foi pelos mestres ensinado. Hatha Yoga é para aprimorar o corpo como um instrumento, mas os vaidosos usam-no com fins narcísicos. Tapas não é para maltratar o organismo. Não é para desenvolver faquirismo ou doenças mortais.

Entre o sibarita, distraído nos prazeres de cama e mesa, se corrompendo e diluindo as forças, e o asceta masoquista agredindo o corpo com autoflagelação, tapas é o “caminho do meio”, do equilíbrio e da dignificação.

Para o yogin, o “corpo é o templo do Espírito Santo”. Tapas conserta, aprimora e purifica o templo. É obrigação de todo devoto, seja qual for a religião.

Pobre do yogin que teme e detesta a dor. O ignorante não sabe que a dor leciona, retifica, desperta, desafia a crescer, fortalece e liberta.

Diante da dor, o yogin não tenta fugir nem se rebela. Tudo ele faz no sentido de evitá-la, e, atendendo às sábias leis da Natureza, procura minorá-la. Efetivamente, os analgésicos reduzem ou disfarçam a dor superficial. Mas, e a dor existencial cósmica (dukha)?!… Que pode extingui-la senão a iluminação?!…

O asceta, praticando tapas, aceita a cruz, desde que seja inevitável. E, com a cruz, caminha. Sem protestar. Sem reclamar. Sem pretender escapar.

Um grande e invencível heroísmo é indispensável a todo discípulo de Cristo, seguidor de Buddha, devoto de Krsna

Yoga: caminho para Deus


Texto extraído das páginas 75 a 79 da 12a edição, de 1996, do livro Yoga: caminho para Deus (1984), de José Hermógenes
(Editora Nova Era, Rio de Janeiro), e digitado por Cristiano Bezerra em 17 de junho de 2001.

Visite o site do Professor Hermógenes em www.profhermogenes.com.br

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