A ciência do Kriya Yoga

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Paramahansa Yogananda (1893 - 1952) em padmasana, a postura da flor de lótus

Paramahansa Yogananda (1893 – 1952) em padmasana, a postura da flor de lótus

» por Paramahansa Yogananda (1893 – 1952)

A ciência do Kriya Yoga, mencionada tantas vezes nas páginas da Autobiografia de um Yogi, tornou-se amplamente conhecida, na Índia moderna, por intermédio de Lahiri Mahasaya, guru de meu guru. A raiz sânscrita de kriya é kri, fazer, agir, reagir; a mesma raiz se encontra na palavra karma, o princípio natural de causa e efeito. Assim, Kriya Yoga é “união (Yoga) com o Infinito por meio de certa ação ou rito (kriya)”. Um yogi que pratica fielmente essa técnica liberta-se gradualmente do karma ou da legítima cadeia de equilíbrio entre causas e efeitos.

Em virtude de antigas imposições yogikas, não me é permitido dar uma explicação completa do Kriya Yoga em um artigo destinado ao público em geral. A verdadeira técnica deve ser aprendida de um Kriyaban (Kriya Yogi), autorizado pela Self-Realization Fellowship / Yogoda Satsanga Society of India1. Aqui me limitarei a certas referências.

Kriya Yoga é um método simples, psicofisiológico, pelo qual o sangue humano se descarboniza e volta a oxigenar-se. Os átomos desse extra-oxigênio transmutam-se em corrente vital para rejuvenescer o cérebro e os centros da espinha. Sustando a acumulação de sangue venoso, o yogi pode diminuir ou evitar a degeneração dos tecidos. O yogi adiantado transmuta suas células em energia. Elias, Jesus, Kabir e outros profetas foram, no passado, mestres no uso de Kriya ou de uma técnica similar, pela qual eles materializavam ou desmaterializavam seus corpos à vontade.


Kriya é uma ciência antiquíssima. Lahiri Mahasaya recebeu-a de seu grande guru, Babaji, que redescobriu e purificou essa técnica depois da Idade Média, época em que esteve perdida. Babaji batizou-a de novo, simplesmente de Kriya Yoga.

– O Kriya Yoga que estou oferecendo ao mundo, por seu intermédio, neste século 19 – disse Babaji a Lahiri Mahasaya – é um renascimento da mesma ciência que Krishna deu a Arjuna, há milênios; e a que foi posteriormente conhecida por Patañjali e Cristo, e por São João, São Paulo e outros discípulos.

Por duas vezes,o Senhor Krishna, o maior profeta da Índia, refere-se ao Kriya Yoga na Bhagavad Gita. Um dos versículos diz: “Oferecendo o alento que inala naquele que exala e oferecendo o alento que exala naquele que inala, o yogi neutraliza inalação e exalação; assim, ele liberta prana do coração, e coloca a força vital sob seu controle”. A interpretação é a seguinte: “o yogi impede o envelhecimento do corpo, assegurando-se um suprimento adicional de prana (força vital) ao aquietar a ação dos pulmões e do coração; ele também detém as mutações do crescimento fí­sico, pelo controle de apana (corrente eliminadora). Desse modo, neutralizando o crescimento e a degenerescência, o yogi aprende a controlar a força vital”.

Eis outro versículo da Gita: “Ao buscar a Meta Suprema, o perito em meditação (muni) torna-se eternamente livre quando é capaz de abstrair-se dos fenômenos externos, fixando o olhar entre as sobrancelhas e neutralizando as correntes de prana e apana (que fluem) dentro das narinas e pulmões; quando é capaz, ainda, de controlar sua mente sensorial e seu intelecto; e de banir o desejo, medo e a cólera”.

Krishna também relata que foi ele, numa encarnação anterior, quem transmitiu o Yoga indestrutível a um antigo iluminado, Vivasvat, o qual deu a Manu, o grande legislador. Este, por sua vez, instruiu Ikshwaku, fundador da dinastia solar da Índia, a dos reis-guerreiros. Assim, passando de um a outro, o Yoga dos reis foi guardada pelos rishis até o advento da era materialista2. Depois, devido ao segredo sacerdotal e à indiferença dos homens, a sagrada tradição tornou-se gradualmente inacessível.


Kriya Yoga é duas vezes mencionada pelo antigo sábio Patañjali, o mais notável expoente de Yoga, o qual escreveu: “Kriya Yoga consiste em disciplina física, controle mental e meditação em Aum“. Patañjali refere-se a Deus como o verdadeiro Som Cósmico ou Aum, ouvido em meditação. Aum é o Verbo Criador, o zumbido do Motor Cósmico, a testemunha da Presença Divina. Até mesmo o principiante em Yoga pode ouvir em seu interior o maravilhoso som de Aum. Recebendo esse beatífico encorajamento espiritual, torna-se convicto de estar em comunhão com os reinos sobrenaturais.

Patañjali assim se refere pela segunda vez à técnica de Kriya Yoga, ou controle da força vital: “A liberação pode ser atingida por aquele pranayama que se efetua dissociando o curso da inspiração e da expiração”.

São Paulo conheceu Kriya Yoga ou uma técnica semelhante, pela qual podia ligar e desligar dos sentidos as correntes vitais. Por isso, ele pôde dizer: “Declaro, por nosso regozijo em Cristo, que eu morro diariamente”. Empregando um método de centralizar internamente toda a força vital do corpo (via de regra, dirigida apenas para fora, para o mundo sensorial, emprestando-lhe assim aparente validade), São Paulo experimentava todos os dias a verdadeira união yogika, o “regozijo” (beatitude) da Consciência Crística. Nesse venturoso estado, tinha consciência de estar “morto” para as ilusões sensoriais, livre do mundo de Maya.

Nos estados iniciais de comunhão com Deus (sabikalpa ou sabija samadhi), a consciência do devoto imerge no Espírito Cósmico; sua força vital se retira do corpo, que então parece “morto”, ou imóvel e rígido. O yogi possui plena consciência de seu estado fí­sico de animação suspensa. Todavia, à medida que progride para estados espirituais superiores (nirbikalpa ou nirbija samádhi), comunga com Deus sem a imobilidade física; e o faz, em sua consciência normal de vigília, até em meio a exigentes deveres mundanos.

– Kriya Yoga é um instrumento que pode acelerar a evolução humana – explica Sri Yukteswar a seus estudantes. – Os antigos yogis descobriram que o segredo da consciência cósmica se liga intimamente ao domínio da respiração. Essa é a contribuição sem par, e imortal, da Índia ao tesouro de conhecimento do mundo. A força vital, que comumente se emprega para manter a pulsação cardíaca, deve tornar-se livre para atividades superiores por meio de um método que acalme e detenha as demandas incessantes da respiração.


O Kriya Yoga dirige mentalmente sua energia vital para cima e para baixo, a fim de fazê-lo girar em torno dos seis centros espinhais (plexos medular, cervical, dorsal, lombar, sacro e coccígeo), correspondentes aos doze signos astrais do Zodíaco, o Homem Cósmico simbólico. Meio minuto de revolução da energia ao redor do sensitivo cordão da espinha efetua progressos sutis na evolução do homem; esse meio minuto de Kriya equivale a um ano de desenvolvimento comum.

O sistema astral de um ser humano, com seis constelações internas (doze, por polaridade) girando em torno do Sol do olho espiritual onisciente, relaciona-se com o Sol fí­sico e com os doze signos do Zodíaco. Todos os homens são assim afetados por um universo interno e outro externo. Os antigos rishis descobriram que o ambiente terreno e celeste do homem, numa série de ciclos de doze anos, o impele para a frente de sua senda natural. As Escrituras asseveram que o homem requer um milhão de anos de evolução normal, sem doenças, para aperfeiçoar o seu cérebro e atingir a consciência cósmica.

Mil Kriyas, praticados em oito horas e meia, dão ao yogi, em um dia, o equivalente a mil anos de evolução natural: 365.000 anos de evolução em um ano. Em três anos, o Kriya Yogi pode assim alcançar, por meio de um esforço inteligente, o mesmo resultado que a Natureza apresenta em um milhão de anos. Sem dúvida, o caminho mais curto de Kriya só pode ser trilhado por yogis profundamente desenvolvidos. Com a orientação de um guru, tais yogis preparam cuidadosamente seu corpo e cérebro para resistir ao poder gerado pela prática intensiva.

O principiante em Kriya efetua esses exercícios yogikos apenas de quatorze a vinte e quatro vezes, em duas ocasiões por dia. Alguns yogis obtêm a emancipação em seis, doze, vinte e quatro, ou quarenta e oito anos. Um yogi que morre antes de atingir a realização completa leva consigo o bom karma de seu esforço anterior de Kriya; em sua vida seguinte é naturalmente impelido à Meta do Infinito.

O corpo do homem assemelha-se a uma lâmpada de cinquenta watts, que não pode suportar o bilhão de watts de energia gerado por uma prática excessiva de Kriya. Através do aumento gradual dos exercícios simples e perfeitamente seguros de Kriya, o corpo humano transforma-se astralmente, dia a dia, e por fim se capacita a expressar aquelas potencialidades infinitas de energia cósmica que constituem a primeira expressão materialmente ativa do Espírito.


Kriya Yoga nada tem de comum com exercícios respiratórios anticientíficos ensinados por certos fanáticos extraviados. Tentativas de reter a respiração nos pulmões, até o exagero, são artificiais e decididamente desagradáveis. A prática de Kriya, ao contrário, é acompanhada, desde o início, por sentimentos de paz e sensações suavizantes, de efeito regenerador na espinha.

Essa antiga técnica yogika converte a respiração em substância mental. O adiantamento espiritual permite ao devoto conhecer a respiração como um conceito, um ato da mente: ela é, pois, uma respiração de sonho.

Muitos exemplos poderiam ser dados da relação matemática entre a frequência respiratória do homem e seus vários estados de consciência. Quem se absorve em estado de atenção completa, seja ao acompanhar um intrincado argumento intelectual, seja ao tentar a execução de alguma proeza física delicada ou difícil, automaticamente respira muito devagar. Fixidez de atenção depende de respiração lenta; respiração rápida ou irregular acompanha inevitavelmente estados emotivos prejudiciais: medo, luxúria, raiva, etc. O inquieto macaco respira em média 32 vezes por minuto, em contraste com a média humana de 18 vezes. O elefante, a tartaruga, a serpente e outros animais notáveis por sua longevidade, tem frequência respiratória inferior à do homem. A tartaruga-gigante, por exemplo, que pode atingir a idade de 300 anos, respira somente 4 vezes por minuto.

Os efeitos regeneradores do sono devem-se à perda temporária, no homem, da consciência de seu corpo e de sua respiração. Quem dorme torna-se um yogi; todas as noites executa inconscientemente o rito yogiko de libertar-se da identificação com o corpo e de fundir sua força vital às correntes curativas no encéfalo e nos seis sub-dínamos de seus centros espinhais. Sem o saber, o homem recebe, ao dormir, novo suprimento de energia cósmica, sustentáculo de toda a vida.

Fazendo uso de sua vontade, o yogi executa um processo simples e natural, conscientemente – não com a inconsciência de quem dorme – mas com a mesma lentidão. O Kriya Yogi usa a técnica para saturar e nutrir todas as suas células físicas com luz imperecível e desse modo conservá-las espiritualmente magnetizadas. Torna a respiração cientificamente supérflua, sem cair, durante suas horas de prática, nos estados negativos de sono, inconsciência ou morte.


Nos homens sujeitos à lei natural ou Maya, a força vital flui em direção ao mundo exterior; as correntes são desperdiçadas e usadas de modo abusivo nos sentidos. A prática de Kriya inverte o fluxo; a força vital é mentalmente guiada para o cosmos interior e volta a se unir às energias sutis da espinha. Por meio de tal reforço da energia de vida, o corpo do yogi e suas células cerebrais são renovados por um elixir espiritual.

Com a alimentação apropriada, luz solar e pensamentos harmoniosos, homens que deixam guiar apenas pela Natureza e seu divino plano alcançarão a experiência de Deus em um milhão de anos. Necessitam-se doze anos de vida normal saudável para que se efetue o mais leve refinamento na estrutura do cérebro; um milhão de anos solares são precisos até purificar o alojamento cerebral o suficiente para que manifeste a consciência cósmica. Um Kriya Yogi, entretanto, pelo exercício dessa ciência espiritual, livra-se da necessidade de um longo período de cuidadosa observância das leis naturais.

Desatando a corda da respiração que liga a alma ao corpo, Kriya serve para prolongar a vida e alargar a consciência ao infinito. A técnica yogika supera a indecisa batalha entre a mente e os sentidos emaranhados na matéria, e liberta o devoto para que herde outra vez seu reino eterno. Ele sabe, então, que seu ser real não está limitado nem pelo invólucro fí­sico nem pela respiração – símbolo da escravidão mortal do homem ao ar, às compulsões elementares da Natureza.

Mestre de seu corpo e de sua mente, o Kriya Yogi atinge, enfim, a vitória sobre o “último inimigo”3, a Morte.

“Assim te alimentarás da Morte que se alimenta dos homens; e morta a Morte, então, não haverá mais morrer.”
Shakespeare, Soneto 146.

A introspecção, ou “sentar em silêncio”, é um processo anticientífico de tentar, à força, separar a mente e os sentidos, estes atados àquela pela energia vital. A mente contemplativa, em sua tentativa de retorno à divindade, é constantemente arrastada de volta, em direção aos sentidos, pelas correntes de vida. Kriya, controlando a mente de modo direto, através da força vital, é a via preferencial mais fácil, mais eficiente e mais científica de acesso ao Infinito. Em contraste com o lento e incerto carro de bois que é a via teológica para Deus, Kriya Yoga pode, com justiça, intitular-se “a rota do avião”.


A ciência yogika fundamenta-se no exame empírico de todos os tipos de exercícios de concentração e de meditação. O Yoga habilita o devoto a desligar, e a voltar a ligar, voluntariamente, a corrente vital aos cinco telefones sensoriais: visão, audição, olfato, paladar e tato. Alcançado esse poder de desligar os sentidos, é simples para o yogi unir sua mente com os reinos divinos ou com o mundo da matéria, à vontade. Não mais é trazido pela força vital, contra sua vontade, à esfera mundana de sensações desordenadas e de inquietos pensamentos.

A visão de um Kriya Yogi adiantado depende não de efeitos de ações anteriores, mas apenas das diretrizes de sua alma. O devoto evita assim os monitores lentos e evolutivos das ações egoísticas, boas ou más, da vida comum – lerdos e enfadonhos como lesmas para os corações de águia.

Pelo método superior de viver em sua alma, o yogi se alforria; emergindo da prisão do ego, ele respira o ar profundo da onipresença. A escravatura da vida natural, ao contrário, move-se a passo de humilhação. Se o homem conforma sua própria vida à mera ordem evolutiva, não pode exigir da Natureza uma pressa privilegiada. Embora vivendo sem cometer atentados contra as leis que lhe governam o corpo e a mente, ainda necessita das máscaras de um milhão de anos de encarnações para atingir a emancipação final.

Os métodos telescópicos do yogi, desembaraçando-o de identificações físicas e mentais, a favor da individualidade da alma, recomendam-se, pois, àqueles que se revoltam ante a perspectiva de um milhão de anos. Essa periferia numérica alarga-se para o homem comum, que não vive em harmonia com a natureza e muito menos com a própria alma – ao contrário, se atém a complicações artificiais e ultraja em seu corpo e em seu pensamento a sensatez da Natureza. Duas vezes um milhão de anos dificilmente bastarão para libertá-lo.

O homem vulgar raramente ou nunca compreende que seu corpo é um reino governado, desde o trono do crânio, pela Imperatriz Alma, com regentes subsidiários nos seis centros espinhais ou esferas de consciência. Essa teocracia dirige uma multidão de súditos obedientes – vinte e sete trilhões de células (dotadas de inteligência segura, apesar de aparentemente automática, que as habilita a executar todas as funções corporais, de crescimento, transformação e decomposição) e cinquenta milhões de pensamentos e emoções essenciais, além de suas variantes, próprias de fases alternativas na consciência do homem, durante uma vida de sessenta anos, em média.


Qualquer insurreição manifesta do corpo humano ou da mente contra a Imperatriz Alma, traduzida como doença ou irracionalidade, não se deve a deslealdade alguma dos humildes súditos, mas brota do abuso, presente ou passado, que o homem fez de sua individualidade ou livre arbítrio – a ele conferido simultaneamente com uma alma, e nunca revogável.

Identificando-se com um ego superficial, acredita o homem que é ele quem pensa, quer, sente, digere alimentos e conserva-se vivo; jamais admite pela reflexão (apenas um pouco bastaria) que, em sua vida ordinária, ele não passa de um boneco de ações passadas (karma) e da Natureza ou ambiente. Reações intelectuais, sentimentos, disposições e hábitos de cada homem são meros efeitos de causas pretéritas, sejam dessa vida ou de outras anteriores. Sublime, acima dessas influências, paira sua alma régia. Rejeitando verdades e liberdades transitórias, o Kriya Yogi ultrapassa velozmente toda ilusão e penetra em seu Livre Ser. As Escrituras do mundo inteiro declaram que o homem não é um corpo corruptível, mas uma alma vivente; em Kriya Yoga ele encontra o método para comprovar a afirmação bíblica.

“O ritual exterior não pode destruir a ignorância porque não se contradizem mutuamente”, escreveu Shankara em sua famosa Centúria de Versos. “Apenas o conhecimento experimental destrói a ignorância… O conhecimento só pode surgir por meio da investigação. – Quem sou eu? Como nasceu este universo? Quem o fez? Qual é a sua causa material? – Esse é o tipo de investigação a que me refiro”. – O intelecto não tem qualquer resposta para essas perguntas; daí que os rishis tenham desenvolvido o Yoga como técnica de pesquisa espiritual.


O verdadeiro yogi, impedindo seus pensamentos, sua vontade e seus sentimentos de se identificarem falsamente com os desejos do corpo, e unindo sua mente a forças subconscientes nos santuários da espinha, vive no mundo conforme os desígnios de Deus; ele nem é impelido por impulsos do passado, nem por recentes motivações de insensatez humana. Ao alcançar a satisfação de Seu Supremo Desejo, atraca, fora de perigo, no porto final do inesgotável Espírito beatífico.

Referindo-se à eficiência metódica e segura do Yoga, Krishna louva o yogi tecnológico com as seguintes palavras: “o yogi é maior que os ascetas disciplinadores do fí­sico, ainda maior que os adeptos da senda da sabedoria (Jñana Yoga) ou da senda da ação (Karma Yoga); sê tu, ó discípulo Arjuna, um yogi!”.

Kriya Yoga é o verdadeiro “rito do fogo”, muitas vezes enaltecido na Gita. O yogi arroja seus anseios humanos numa fogueira monoteísta consagrada ao Deus incomparável. Nessa autêntica cerimônia do fogo, todos os desejos passados e presentes são o combustível consumido pelo amor divino. A Flama última recebe em holocausto a derradeira loucura humana e o homem se vê livre de escórias. Seus ossos metafóricos despojados de toda carne sensual, seu esqueleto kármico branqueado pelos sóis anti-sépticos da sabedoria, sem ofensas ao homem e ao Criador, ele se encontra – finalmente – limpo.


Texto extraído do capítulo 26 (páginas 259 a 269) do livro Autobiografia de um Iogue, de Paramahansa Yogananda (1893 – 1952), Lótus do Saber Editora, Rio de Janeiro, e digitado por Cristiano Bezerra em 28 de outubro de 2001. Copyright © 1999 Self-Realization Fellowship. Todos os direitos reservados.

Visite o website da Self-Realization Fellowship, fundada em 1920 por Paramahansa Yogananda (1893 – 1952), em yogananda-srf.org

  1. Paramahansa Yogananda concedeu, aos que o sucederiam como presidentes e líderes espirituais de sua associação (Self-Realization Fellowship / Yogoda Satsanga Society of India), a autoridade de dar instruções e iniciação aos estudantes qualificados para receber o Kriya Yoga, ou para designarem um ministro religioso ordenado pela SRF/YSS. Também providenciou a divulgação perpétua da ciência do Kriya Yoga através das Lições da Self-Realization Fellowship (Yogoda), disponíveis na Sede Central da SRF em Los Angeles. (Nota da Editora) []
  2. O início da era materialista, segundo o cálculo das Escrituras hindus, foi em 3.012 antes de Cristo. Esse ano assinalou o começo do último Dwapara Yuga descendente, do Ciclo Equinocial, e também o princípio do Kali Yuga do Ciclo Universal. Muitos antropólogos, acreditando que, há 10.000 anos, a Humanidade vivia na barbárie da Idade da Pedra, rejeitam, de modo sumário, como sendo “mitos”, as tradições amplamente difundidas das antiquíssimas civilizações da Lemúria, Atlântida, Índia, China, Japão, Egito, México e muitas outras terras. []
  3. “O último inimigo a ser destruído é a morte” (I Coríntios, 15:26). Pela incorruptibilidade de seu corpo após a morte, Paramahansa Yogananda provou ser um Kriya Yogi que se fez perfeito. Nem todos os grandes mestres, porém, manifestam a inalterabilidade física pós-morte. Milagres dessa espécie ocorrem, dizem-nos as Escrituras hindus, apenas com um propósito especial. No caso de Paramahansaji, o “propósito especial” foi, sem dúvida, convencer o Ocidente do valor do Yoga. Babaji e Sri Yukteswar ordenaram a Yoganandaji que servisse o Ocidente; Paramahansaji cumpriu essa missão de confiança, tanto em sua vida como em sua morte. (Nota da SRF, editora norte-americana) []
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