Saúde, uma responsabilidade diária

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predominância dos doshas ao longo do dia» por Arjun Das

O Ayurveda é rico em orientações práticas, oferecendo diretrizes para a manutenção do bem estar no dia a dia e conservando o seu estado de saúde e vigor.

De acordo com o Ayurveda e o Yoga, a harmonia é o nosso estado natural de ser. Portanto, nada mais importante do que viver preservando essa plataforma.

Svasthavrtta significa “regime de respeito à própria natureza”, e é, com a devida visão, o ponto máximo do Ayurveda, pois é justamente com o foco na conservação de uma condição saudável que o indivíduo conseguirá uma condição plena. Embora esteja claro que o Ayurveda possui um largo leque de terapias, nada mais vital para esse sistema do que conceder informações pertinentes para a pessoa/comunidade, orientando-a sobre como evitar estar em uma condição que venha precisar de intervenção terapêutica. Assim, fica evidente a importância que a prevenção assume dentro desse sistema.

Ayurveda não é um sistema de medicina, mas sim uma ciência da promoção da saúde, projetada para incrementar nosso bem estar e felicidade em todos os aspectos.” (Dr. Subhash Ranade)

Com o intuito de alcançar uma vida saudável e feliz, cada um deveria observar certos deveres e regimes que formatam todo esse procedimento como promoção da saúde.

É dito também, como conceito geral de saúde no Ayurveda, que a pessoa que possui seus doshas em condição equilibrada, e cujo metabolismo está apropriado, com dhatus (tecidos) e malam (excreção) funcionando normalmente, encontra-se em um condição estável.

A essência do ensinamento ayurvédico é extremamente simples e complexa ao mesmo tempo. Simples por evidenciar o óbvio, que é viver de acordo com a sua natureza, respeitando limites e gerenciando habilidades através de uma expressão harmônica; complexa, pois traz à tona a nossa intransferível responsabilidade diária sobre nossa própria condição. Estamos geralmente acostumados a conduzir a nossa vida da maneira que mais nos agrada, ou que agrada aos nossos sentidos, para posteriormente buscarmos por algum recurso que possa corrigir o nosso erro cometido através principalmente da alimentação e do estilo de vida.

Basicamente, svasthavrtta explana sobre como cuidar do seu corpo, permitindo uma mente tranquila e em paz. Várias orientações sobre sono, alimentação, sexo e atividades físicas compõem esse esquema. Entre todas as injunções ayurvédicas, elas se dividem entre aquelas a serem conduzidas diariamente e aquelas que devem adequar-se ao tempo e local, como leves mudanças de acordo com a estação do ano.

O início do dia

Uma pessoa saudável deve acordar por volta de noventa minutos antes do amanhecer, para um melhor ajustamento do ritmo dos humores corporais. A pessoa é então aconselhada a oferecer gratidão pela vida e ao seu mestre espiritual, em reverência.

Em seguida, é sugerido que seja limpa a língua com a ajuda de uma raspadeira de língua, que é um instrumento preferivelmente metálico no formato de um “U” invertido, que deverá ser passado sobre a língua, removendo essa camada normalmente branca. Essa substância pegajosa é chamada de ama, no Ayurveda, e significa toxina. Sua remoção tornaria a língua mais pura e propícia para exercer melhor sua função, tonificando as papilas gustativas, removendo bactérias e auxiliando em casos de mau hálito.

Na noite anterior, coloca-se um copo com água pura em repouso em um copo metálico, que deverá ser ingerida após a limpeza da língua. Esse copo deverá ser preferivelmente de prata, para as pessoas de Pitta, ou de cobre, para as pessoas de Vata ou Kapha.

A eliminação de urina e fezes deve se seguir imediatamente. É também indicado que homens e mulheres devam se utilizar de uma posição acocorada, sempre que possível. Essa é uma indicação clássica, encontrada nas escrituras, e segui-la fica um pouco difícil na atual sociedade, que não oferece banheiros projetados para esse procedimento. Então, os orifícios devem ser limpos usando exclusivamente água com em duchas higiências. O uso do papel é contra-indicado.

Abhyanga é então indicado. Uma pequena quantidade de óleo apropriado ao prakrti (biotipo) da pessoa e à estação do ano é rapidamente friccionado por todo o corpo, começando pela cabeça e face e indo em direção aos pés, passando nos braços, tórax, abdome e pernas. Pessoas com a pele bem oleosa devem optar por uma massagem seca com o auxílio de um tecido cru ou uma esponja vegetal levemente umedecida.

Após o Abhyanga, os dentes são limpos. Havendo como obter, pode-se utilizar uma “varinha” de Neem, uma planta indiana, que deverá ser selecionada apenas para esse propósito. Essa planta tem propriedade bactericida e é extremamente indicada. Na ausência de Neem, prefira escova dental de fibras naturais e um creme adstringente e amargo, protegendo assim as gengivas.

Deve-se, em seguida, gargarejar com óleo de gergelim, que fortalece os dentes e músculos faciais, removendo as impurezas e estimulando o paladar.

O banho é só então tomado, em água corrente e com temperatura agradável, dependendo do prakrti e da estação do ano. A cabeça não deverá ser lavada com água quente, pois é uma prática que debilita e danifica os cabelos, bem como a visão (alocaka pitta).

A cabeça e os nove orifícios deverão ser untados com um óleo sutil após o banho, com o intuito de se evitar ressecamento local.

Deve-se, então, adotar roupas limpas e preparar-se para a meditação matinal.

Após isso, a pessoa poderá então engajar-se em algum vyayam (exercício), para manter uma estabilidade mental, uma boa circulação e capacidade respiratória, bem como tônus muscular. Dica: Saudação ao Sol (Suryanamaskar).

Nesse momento, será tomada a primeira refeição do dia, cujo volume deverá ser compatível com a sua capacidade digestiva.

Imediatamente após a refeição, gargareja-se com água pura, agitando por no mínimo doze vezes, para restaurar frescor e limpeza para a boca. A seguir, limpa-se os dentes.

A próxima refeição deverá ser entre três e seis horas após a anterior. O Sol funciona como o agni externo, e, assim, em seu ponto mais alto de calor e brilho, ao meio-dia, a alimentação mais consistente deverá ser tomada.

Um breve período de relaxamento deve se seguir. Dormir deve ser evitado, abrindo exceção para aqueles na infância, na velhice e enfermos, para os quais poderá ser benéfico.

Uma leve refeição deverá ser tomada antes do pôr-do-sol, após banhar-se novamente.

O início da noite

Neste período, as atividades deverão possuir propósitos auspiciosos, como usufruir da companhia da família.

Após um breve estudo e/ou leitura, a pessoa deverá descansar. O melhor período para o sono será entre as dez horas da noite e as quatro da manhã, assumindo o por do Sol às dezoito horas. Fazendo-se assim, conseguirá, com maior naturalidade, um ajustamento do biorritmo.

Uma aplicação de óleo de gergelim na sola dos pés e óleo brahmi nas têmporas induz a um sono tranqüilo.

KhajurahoTradicionalmente, aconselha-se que o sexo seja evitado durante o amanhecer e o anoitecer. Ainda deverá ser evitado quando a mulher estiver menstruando, enferma ou não amorosamente disposta.

A atividade sexual ainda é proibida em público, em encruzilhadas, em um jardim, na água, em estabelecimentos médicos, na casa de sacerdotes ou professores e em templos.

A pessoa não deverá engajar-se em sexo quando estiver suja, faminta ou logo após alimentar-se excessivamente. Não é apropriado também sob grande vontade de urinar, defecar e/ou expelir gases, após esforço físico ou exercício, durante jejuns, sobre superfícies irregulares ou sem privacidade suficiente.

Um banho aquecido ou no mínimo uma completa limpeza dos órgãos genitais deve se seguir a uma atividade sexual.

Para garantir uma adequada nutrição para todos os dhatus (tecidos), a pessoa poderia ingerir um copo de leite quente com amêndoas moídas e cana-de-açúcar antes e depois do intercurso sexual.


Texto originalmente publicado em www.triguna.com

Arjun Das em Kerala, sul da Índia
Arjun Das é diretor do TriGuna – Bem-Estar & Cultura, em Belo Horizonte (MG). Certificado pelo instituto S. A. Vidyalaya, em Boston (EUA), com Especialização em Panchakarma (terapias purificatórias), em Gujarat, Índia. Representou o Brasil em congressos indianos (2004, 2005) sobre o cenário mundial do Ayurveda. Foi integrante do conselho editorial original do jornal Light on Ayurveda, publicado nos EUA. É membro do ashram Sri Narasingha Caitanya Math, de Mysore, sul da Índia, Instrutor de Yoga, praticante de Jyotish (astrologia védica), e ministra cursos e palestras regularmente em alguns estados brasileiros, bem como na Europa e na Índia.

Visite o site do TriGuna – Bem-Estar & Cultura, do professor Arjun Das, em www.triguna.com

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